Busca por algodão orgânico do Ceará é notícia na imprensa

Segunda, 23 Maio 2016 00:00
Busca por algodão orgânico do Ceará é notícia na imprensa

Por Emília Morais

A procura internacional por fornecimento de algodão orgânico do Ceará  foi destaque do caderno Regional do Jornal Diário do Nordeste em maio. A notícia "Varejo Quer Mais Algodão Orgânico"resgata o trabalho do Esplar, Centro de Pesquisa e Assessoria na formação de grupos de agricultores e agricultoras que cultivam algodão agroecológico no Ceará.

Há mais de vinte anos, o agrônomo fundador do Esplar, Pedro Jorge Bezerra Ferreira Lima, iniciou o trabalho de assistência técnica rural a agricultores e agricultoras familiares de Tauá, do Sertão dos Inhamuns, Sertão Central, entre outras regiões. Junto a eles/elas e a pesquisadores/as da Universidade Federal do Ceará, foi desenvolvida uma forma de cultivo do algodão mocó para superar o problema da infestação do inseto bicudo, que, no início da década de 1980, se espalhou pelos campos de algodão no Estado. O Esplar também buscou a valorização do produtor e da produtora orgânico/a, com base do comércio justo, um avanço na comercialização, já que a venda do algodão orgânico hoje é feita por valores acima do preço de mercado.

A primeira compra de algodão agroecológico produzido pelos coletivos de agricultores e agricultoras acompanhados/as pelo Esplar aconteceu em 1993 para o Greenpeace. Hoje, um dos principais compradores é a empresa francesa Vert, fabricante de sapatos ecológicos, que anualmente tem encomendado a colheita de cerca de 50 produtores rurais. Neste ano, foi negociada a compra de 25 mil quilos de algodão do Ceará para fabricação de 150 mil pares de sapatos.

Além das parcerias tradicionais, outros mercados têm demonstrado interesse na compra de algodão orgânico do Ceará. Representantes de organizações do Brasil e do exterior visitaram o Esplar em janeiro com intuito de conhecer o potencial de produção local, entre eles Alexander Grisar, alemão que fundou a  Organização para Apoio do Algodão Orgânico na América Latina, (Support Organic Cotton in Latin America) e Silvio Moraes, embaixador da Textile Exchange, companhia radicada em Porto Alegre.

Com a experiência de acompanhamento dos pequenos produtores e pequenas produtoras, Pedro Jorge identifica que a irregularidade das chuvas no Ceará compromete o fornecimento de algodão e que seria necessário o investimento do Governo do Estado para aumentar a produção, em queda de 7 toneladas e meia em 2014, para 6,6 em 2015.  “Se o governo ajudar, há como atender a outros mercados”, analisou em entrevista à jornalista Maristela Crispim.

Leia matéria publicada no jornal Diário do Nordeste