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Campanha Pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico é lançada no sertão de Crateús

Sexta, 23 Fevereiro 2018 17:47

Com o lema “Direitos são para mulheres e homens, responsabilidades também!”, a campanha visa construir uma realidade justa para todas as mulheres

Em muitos lares do Brasil, a situação se repete: a mulher é responsável pela maior parte do trabalho doméstico. Inclusive, costuma acordar antes de toda a família para cuidar da casa, das pessoas, dos animais e até da comunidade. Para buscar uma mudança de atitude, com a qual as responsabilidades e decisões familiares sejam compartilhadas igualmente, o Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar) lançou esta semana a campanha Pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico nos municípios de Monsenhor Tabosa e Tamboril, no sertão de Crateús.

Com o lema “Direitos são para mulheres e homens, responsabilidades também!”, a campanha visa construir uma realidade justa para todas as mulheres, que atualmente gastam mais de 20 horas semanais com afazeres domésticos. O lançamento da campanha no sertão de Crateús contou com a participação de 60 mulheres, mobilizadas a partir dos sindicatos de trabalhadores rurais agricultores e agricultoras familiares nos referidos municípios.

Com a exibição da animação que trata da divisão do trabalho doméstico, as mulheres se identificaram com o tema e compartilharam suas realidades umas com as outras. O momento foi mediado por Daniella Alencar, técnica de gênero dos projetos Educação para Liberdade e Contexto. Ela ressalta a importância de pautarmos a questão da divisão justa do trabalho doméstico para que possamos construir a autonomia das mulheres de forma efetiva.

“O trabalho doméstico, esse trabalho invisível, sem remuneração, não é obrigação nossa. Não nascemos marcadas com essa falsa atribuição. Somos, igualmente aos homens, responsáveis pelo trabalho doméstico, portanto é preciso reivindicar a divisão dessa responsabilidade”, pontua Daniella.

Saiba mais sobre a campanha

A campanha Pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico foi elaborada durante três anos pela Rede Ater Feminismo e Agroecologia do Nordeste. Para isso, a Rede Ater contou com participação de agricultoras, professoras, sindicalistas, assessoras técnicas e pesquisadoras. A campanha partiu de uma pesquisa nacional sobre Assistência Técnica Rural para mulheres, que diagnosticou a desigualdade na divisão sexual de trabalho. A campanha já foi lançada em diversos estados do Nordeste, como Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.