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8 de Março é marcado por debate sobre democracia e igualdade de gênero

Segunda, 12 Março 2018 17:19
8 de Março é marcado por debate sobre democracia e igualdade de gênero

Os STRAAFs dos municípios de Tamboril e Monsenhor Tabosa promoveram debates sobre democracia e igualdade de gênero

O Dia Internacional da Mulher foi momento de luta por direitos e igualdade de gênero em todo o mundo. Entre as trabalhadoras rurais do sertão de Crateús não foi diferente. Com o tema “As margaridas na luta por democracia e garantia de direitos”, os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (STRAAF) dos municípios de Tamboril e Monsenhor Tabosa levantaram reflexões sobre os direitos civis e os riscos que eles correm na atual conjuntura política, principalmente para as mulheres que vivem em um contexto de desigualdade de gênero.

Mulheres de diferentes comunidades e assentamentos de Tamboril lotaram o auditório do STRAAF para debater sobre a importância da participação feminina em espaços de decisões políticas. A advogada Daniella Alencar, técnica do Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar), pontuou que o 8 de março representa muito além do trágico incêndio que vitimou dezenas de operárias em Nova York. “O 8 de março não foi só por esse motivo. O 8 de março foi o estopim de toda uma revolução, quando as mulheres saíram nas ruas. Nós estamos nas ruas há muito tempo. As revoluções não acontecem sem as mulheres”, explicou a advogada durante conversa com as agricultoras de Tamboril.

Em sua fala, a técnica do Esplar fez questão de ressaltar a importância histórica das mulheres para o desenvolvimento da agricultura e criticar a invisibilidade da participação feminina para os avanços tecnológicos. “As mulheres desenvolveram a agricultura ainda na pré-história. Enquanto os homens caçavam, eram as mulheres que cuidavam do plantio. As mulheres eram as guardiãs das sementes. E, mesmo assim, ainda não se estuda a importância da mulher agricultora”, lamentou Daniella.

A partir da Pré-História, a relação das mulheres com a natureza ampliou-se cada vez mais, tornando-se essencial em épocas nas quais a Medicina não era desenvolvida. O conhecimento das mulheres sobre ervas medicinais e outros recursos naturais foi motivo de perseguição durante a Idade Média, conforme a advogada. “Na Idade Média, as mulheres foram perseguidas e mortas porque eram consideradas bruxas, mas a gente sabe que elas não usavam magia. Em grande maioria, elas eram mulheres que cuidavam das outras pessoas. Às vezes, elas eram a única possibilidade de cuidado que as pessoas tinham. Por causa do medo de fala dessas mulheres, elas iam para a fogueira”, pontuou.

No município de Monsenhor Tabosa, as agricultoras participaram de uma roda de conversa mediada por Andrea Sousa, coordenadora do projeto Educação para a Liberdade do Esplar, que beneficia agricultoras familiares da região do Inhamuns. As mulheres puderam compartilhar suas insatisfações com as injustiças sociais e a corrupção generalizada que domina o país. Sem perder a esperança, elas apontaram o voto consciente como umas das possíveis soluções para essas problemáticas.

Para a presidente do STRAAF, Maria Onete, o momento foi um despertar para a importância da união das mulheres na luta pela democracia e na conquista de direitos. “Nós estamos em um momento de despertar da consciência política dessas mulheres. Elas estão tomando um rumo de iniciativa e renovação. Cada mulher vai se tornar uma multiplicadora para trabalhar que o valor está no seu voto. As mulheres tem que está envolvida na política conscientizando a família”, afirma a presidente.