Notícias

Esplar recebe consultor da União Europeia para monitoramento do projeto URUCUM

Segunda, 26 Março 2018 11:32
Esplar recebe consultor da União Europeia para monitoramento do projeto URUCUM

O consultor Vincent Brackelaire se reuniu com mulheres dos povos Tapeba e Jenipapo-Kanindé e técnicas do Esplar

O Centro de Pesquisa e Assessoria – Esplar realizou na última quinta-feira (22) reunião de monitoramento do projeto “Urucum: fortalecendo a autonomia político-organizativa dos povos indígenas”, realizado em parceria com a Associação para Desenvolvimento Local Co-Produzido (Adelco). A reunião contou com a presença de Vincent Brackelaire, consultor da União Europeia, responsável pelo financiamento do projeto. Bracklaire se reuniu com mulheres dos povos Tapeba e Jenipapo-Kanindé e técnicas do Esplar para a apresentação de resultados e expectativas.

De acordo com Vincent Brackelaire, o movimento indígena no Ceará tem longa história de movimento, mas ainda não se consolidou como uma organização. “Temos ainda mais um ano e meio para trabalhar o fortalecimento das organizações das mulheres indígenas. No processo de organização indígena no Ceará, as mulheres tem papel gigante”, afirmou. Ele revelou que o papel das mulheres dentro dos projetos é bastante considerado pela União Europeia. “Hoje, a União Europeia não apoia projetos que não englobem as mulheres. Não dá para ter um desenvolvimento sustentável sem as mulheres”, garantiu Brackelaire.

Durante conversa com as mulheres indígenas, entre elas, Cacique Pequena e a Cacique Irê, exemplos de liderança feminina dentro do povo Jenipapo-Kanindé, o consultor da União Europeia exaltou o diagnóstico sobre os povos indígenas do Ceará, feito pelo Esplar em parceria com a Adelco. “Antes, não existia uma apresentação dos problemas e das necessidades dos 14 povos indígenas do Ceará. Nunca vi um trabalho assim tão bem feito”, elogiou Brackelaire.

Há dez anos, as mulheres indígenas fundaram a Articulação de Mulheres Indígenas do Ceará (AMICE) em busca de “respeitar e fazer respeitar a participação de mulheres dentro do movimento indígena”, conforme o seu estatuto. “A AMICE é uma organização jovem. Tem mulheres de todas as etnias do Ceará. Ela tem andando, aos passos lentos, mas tem andado”, relatou Cacique Irê. Ela ainda ressaltou a importância de valorizar os trabalhos realizados pelas indígenas, como o artesanato, e a troca de experiências entre elas. “Talvez o que esteja faltando não seja só fortalecer a AMICE em si, mas fortalecer todas as mulheres dentro de suas bases”, ponderou.

Conforme Cacique Irê, o Ceará foi um dos estados no qual a liderança das mulheres sempre esteve muito atuante. “Em outros Estados, a participação das mulheres é mais fraca. As mulheres aparecem, mas pontualmente. No Ceará, o potencial de liderança das mulheres é o ponto forte”, ressaltou Irê. Exemplo da liderança histórica das mulheres indígenas no Ceará é Cacique Pequena, primeira mulher cacique da América Latina. Para Pequena, apesar das dificuldades, a união é um ponto marcante entre as etnias cearenses. “Quando é para fazer um movimento, as 14 etnias estão todas juntas. O movimento é um corpo só. A dor que o índio sente, todos sentem. O movimento é pela Mãe Terra”, explicou Cacique Pequena.

Para Marciane Tapeba, liderança da juventude do povo Tapeba, a AMICE não é algo que se sustente no espaço, mas precisa de um alicerce. “A gente tem que fortalecer as organizações locais, de base, e, com isso, fortalecer a AMICE”, propôs a jovem. Como liderança da juventude, Marciane vivenciou muitos momentos de desrespeito de sua fala por ser mulher, por isso, ela defenda o empoderamento da fala das mulheres por meio de capacitações e oficinas. “Eu fui tocada em uma das atividades da AMICE e, a partir daí, quis me aproximar do movimento das mulheres. A gente tem que se fortalecer nos espaços, mas também tem que aprender a escrever um projeto, uma carta, um ofício. A gente tem que se empoderar enquanto mulher na fala”, defendeu Marciane.