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Algodão agroecológico aparece como alternativa sustentável no Fashion Revolution

Quarta, 25 Abril 2018 15:58

Por meio do projeto Consórcios Agroecológicos com Algodão Mocó, financiado pelo Instituto C&A, o Esplar estimula a produção agroecológica de algodão certificado para o mercado orgânico e o comércio justo

Ao comprar uma peça de roupa, você se questiona sobre a proveniência daquele produto? Afinal, quem fez a roupa que você está usando no momento em que lê este texto? Infelizmente, a maioria dos consumidores não é consciente dos malefícios que a cadeia de produção da moda pode trazer para milhares de trabalhadores ao redor do mundo. Há cincos anos, ocorreu o desabamento do prédio Rana Plaza, em Bangladesh. Em condições precárias, o edifício era utilizado como sede de várias confecções que produziam roupas para o mundo inteiro. Na tragédia, 1.138 pessoas morreram e outras 2.500 ficaram feridas, tornando-se o quarto maior desastre industrial da história.

A partir de então, surgiu um movimento global pela conscientização sobre o impacto da moda em suas fases de produção e consumo e por mais transparência em sua cadeia produtiva, o Fashion Revolution. Presente em mais de 90 países, a iniciativa realiza eventos todos os anos na última semana de abril para celebrar os trabalhadores da indústria da moda e pensar em estratégias para um futuro mais sustentável e justo. Em Fortaleza, a Semana Fashion Revolution segue até a próxima sexta-feira (27). O Esplar foi representado em mesa redonda, ontem (24), pelo agrônomo Waldemar Tillesse, técnico do projeto Consórcios Agroecológicos com Algodão Mocó, financiado pelo Instituto C&A.

Por meio do projeto, o Esplar estimula a ampliação da produção agroecológica de agricultoras e agricultores familiares com algodão certificado para o mercado orgânico e o comércio justo (nacional e internacional). Em 2018, 186 beneficiadas e beneficiados do projeto recebem acompanhamento técnico em suas unidades familiares de produção e passam por processos formativos que possibilitam a continuidade e/ou obtenção da certificação orgânica no modelo participativo.

Waldemar Tillesse falou durante o evento sobre a experiência de produção de algodão agroecológico no interior do Ceará. O debate foi conduzido pela design de moda Beatriz Guedes, com a participação de Lorena Delfino, responsável pelo Fashion Revolution no Ceará, Renata Santiago, fundadora da marca “Moda Para Mim”, e Gabrielle Barbosa, do Donatila Brechó. De acordo com Waldemar, o momento possibilitou que pessoas envolvidas com a indústria da moda refletissem sobre suas responsabilidades com a sustentabilidade dessa cadeia. “Apresentamos a cadeia produtiva do algodão, elo primário da indústria da moda, e detalhamos a atual situação, seus avanços e desafios”, conta o agrônomo.

Conforme o técnico do Esplar, entre os participantes, era perceptível o desejo de não mais compactuar com o atual modelo convencional de produção, que degrada o meio ambiente e explora a mão-de-obra de jovens e mulheres sem nenhuma preocupação com a saúde, seja no meio rural, na produção das matérias-primas, nas pequenas facções encontradas facilmente nas periferias de Fortaleza ou nos grandes fabricantes. “Ao longo do debate, a pergunta mais recorrente foi: onde está o algodão agroecológico do Ceará?”, revela.

Atualmente três associações de agricultoras e agricultores familiares estão comprometidas em produzir e comercializar o algodão agroecológico no Ceará: a Associação de Certificação Participativa Agroecológica (ACEPA); a Associação Agroecológica de Certificação Participativa Inhamuns/Crateús (ACEPI); e a Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (ADEC).

De acordo com Waldemar Tillesse, o algodão é produzido em Unidades Familiares Produtivas (UFP), no modelo de Consórcios Agroecológicos, que consiste em cultivar o algodão em faixas alternadas com culturas alimentares e/ou forrageiras, sem utilizar agrotóxicos, adubos químicos, sementes transgênicas e/ou que passarão por tratamento químico, diminuindo a dependência por insumos externos. Além disso, o agrônomo ressalta que o plantio e o manejo das áreas são realizados utilizando práticas conservacionistas de solo e água. “Além do algodão, a produção primária vegetal possui certificação orgânica, seja no modelo participativo (ACEPA e ACEPI) ou por auditoria (ADEC)”, pontua.

SAIBA MAIS

No ano de 2017, 107 agricultores/as produziram em seus consórcios 9614 quilos de pluma de algodão:

ADEC - Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá
Área de atuação: localidades rurais dos municípios de Independência e Tauá de com sede em Tauá
Sócios/as: 61
Produziram pluma de algodão em 2017: 32 Agricultores/as - 4500 quilos de pluma

ACEPI - Associação Agroecológica de Certificação Participativa Inhamuns/Crateús
Área de atuação: localidades rurais dos municípios de Crateús, Monsenhor Tabosa, Nova Russas, Tamboril
Sócios/as: 86
Produziram pluma de algodão em 2017: 34 Agricultores/as – 1016 quilos de pluma

ACEPA - Associação de Certificação Participativa Agroecológica
Área de atuação: localidades rurais dos municípios de Quixeramobim, Quixadá e Choró
Sócios/as: 87
Produziram pluma de algodão em 2017: 41 Agricultores/as – 4098 quilos de pluma