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Esplar executa etapa final do programa Cisternas nas Escolas em quatro municípios cearenses

Sexta, 18 Maio 2018 11:52

O Programa Cisternas nas Escolas beneficiará 31 escolas dos municípios de Canindé, Caucaia, Ocara e Pacajus

O Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria iniciou a execução da quarta e última etapa do programa Cisternas nas Escolas. O programa é desenvolvido pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em parceria com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), e tem como objetivo levar água para escolas rurais do semiárido brasileiro por meio da construção de cisternas de 52 mil litros. Ao todo, serão contempladas 31 escolas dos municípios de Canindé, Caucaia, Ocara e Pacajus.

As gerações mais antigas vivenciaram a dura realidade do acesso à educação no meio rural. As histórias de mães, pais, avós e avôs que precisavam caminhar quilômetros para chegar à escola e, ainda assim, sofriam com a carência de água no local funcionam como alerta para pensarmos em alternativas para minimizar os efeitos da seca. De acordo com Neuma Morais, responsável pela execução do programa no Esplar, é importante encarar o processo de estiagem com outra perspectiva, como um fenômeno natural da região que se repete em períodos sucessivos.

“Hoje, não falamos mais em combate à seca. Falamos em convivência com o semiárido. Então, como podemos resolver o problema de falta de água? Armazenando”, assegura Neuma, ao explicar a importância de equipamentos de armazenamento como cisternas. Em etapas anteriores do programa, o Esplar executou a construção de cisternas em sete municípios, dois deles atingindo a universalização, ou seja, 100% da rede municipal de ensino com abastecimento de água regular. Os municípios universalizados são Chorozinho e Caridade.

 

Para a seleção das 31 escolas contempladas com o programa na quarta etapa, o Esplar reuniu-se com as Secretarias Municipais de Educação e os sindicatos rurais dos municípios, conforme Neuma Morais. Em seguida, a equipe do Esplar visitou as instituições de ensino para averiguar se elas adequavam-se aos critérios, dentre eles: ser escola pública que funcione em prédio público, sendo vetadas aquelas que funcionem em prédios alugados; e disponibilidade de espaço para a construção das cisternas, que possuem diâmetro 8x8.

Neuma ressalta ainda que os gestores da escola precisam estar dispostos a despender tempo da rotina escolar com o programa. “O processo de construção requer certa atenção da escola. O núcleo gestor tem que animar a comunidade escolar para que ela participe também”, explica.

No mês de maio, iniciaram-se as atividades de capacitação com representantes governamentais e comunitários. Na última sexta-feira (11), ocorreu o Encontro Territorial, com a presença de representantes das Secretarias Municipais de Educação de Canindé, Caucaia, Ocara e Pacajus e diretoras e diretores das escolas contempladas. Na quarta-feira (16), a equipe do Esplar se reuniu com representantes de sindicatos rurais, associações comunitárias e conselhos escolares para capacitação das comissões municipais.

Nesta quinta-feira, teve início o ciclo de formação com merendeiras e merendeiros e auxiliares de serviço sobre Gerenciamento de Recurso Hídrico Escolar, que segue até dia 21 de junho. Além disso, haverá encontros com professores e coordenadores sobre Educação Contextualizada. “Ao mesmo tempo em que ocorrem as formações, acontecem reuniões com as comunidades e a construção das cisternas. Já houve escavações em Caucaia e em Ocara. Próxima semana, nós iniciaremos as escavações em Pacajus. E, depois, em Canindé. Até o final de junho, teremos encerrado todo o processo”, revela a coordenadora.

De acordo com Aparecida Amado, assessora da ASA, mais de 500 mil crianças e adolescentes já foram beneficiados com a chegada do direito ao acesso à água de consumo, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2018. Além disso, 12 mil educadoras e educadores e nove mil merendeiras e merendeiros envolveram-se em processos formativos. “A proposta é fazer um trabalho de educação contextualizada, que não se dá somente a partir de solo e clima, mas olhando para a realidade das comunidades. É ampliar os debates olhando para o que tem de diversidade dentro do semiárido, dentro da própria escola. Trabalhamos em uma perspectiva antirracista, valorizando as comunidades tradicionais e debatendo a igualdade de gênero”, ressalta a assessora.