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Contação de história promove combate ao bullying em 37 escolas rurais do Sertão de Crateús

Quinta, 19 Julho 2018 13:50

O projeto Educação para a Liberdade é executado pelo Esplar em parceria com a We World

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Crianças e adolescentes de 37 escolas rurais dos municípios de Monsenhor Tabosa, Nova Russas e Tamboril refletiram sobre preconceito e bullying no cotidiano escolar por meio de contação de história. Executado pelo Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria em parceria com a instituição internacional We World, o Projeto Educação para a Liberdade promoveu a campanha Solidariedade à Distância (SAD) tendo o bullying como tema gerador. A campanha SAD fornece aporte de temas relevantes que as escolas não conseguem aprofundar, relacionados às identidades das famílias de agricultores.

Entre os meses de abril e junho, 2.428 estudantes da Educação Infantil ao Ensino Fundamental participaram da oficina lúdica “Parece bricandeira, mas não é”, com o objetivo de desestimular práticas de preconceito e desrespeito. A contação de história foi realizada pelo arte educador Eduardo de Paula, conhecido como Pantico. Em sondagem anterior com professoras e professores, a equipe de técnicas do Esplar constatou que esses eram os problemas que mais apareciam entre as crianças. “Havia criança que tinha feito a consulta oftalmológica, precisava usar o óculos, mas não ia para a escola com ele por vergonha porque os colegas faziam bullying”, relata a educadora Raquel Rodrigues, técnica do Esplar.

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De posse de assessórios coloridos, como perucas e óculos, a equipe do Esplar abordou o respeito às diferenças citando questões como cor de pele e tipo de cabelo, além de questões de gênero ao problematizar as cores culturalmente determinadas para meninas e meninos. “A gente sempre leva um símbolo para deixar com eles. Este ano, levamos um lápis com uma borracha colorida. Cada criança recebia uma cor. Não tinha escolha por rosa, amarelo, azul, verde ou branca. Ainda assim, há quem rejeite a cor por ser “de menina” ou “de menino”, mesmo a gente explicando antes”, revela a educadora.

De acordo com Raquel, os adereços e as borrachas coloridas serviram para perceber como foi o entendimento das crianças sobre o assunto. “Sempre tem quem apresente certa resistência”, conta. Por outro lado, a educadora aponta que há situações nas quais as crianças são mais abertas a respeitar as diferenças, demonstrando mais empatia e sensibilidade com o tema. “Quando a escola já trabalha essas questões, torna-se mais fácil. Em escolas que havia alunas ou alunos com deficiência física, as crianças já entendiam que tinha que contribuir, pois, apesar da deficiência, não deixavam de ser criança, de estudar e de brincar por isso. Quando trabalhamos com elas, foi mais fácil entender o assunto porque já estavam praticando”, constata a técnica do Esplar.

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A educadora relata que já foi possível perceber processo de conscientização nos estudantes. Conforme Raquel, um menino que fazia bullying com outro aluno, chamando-o de “baleia”, pediu desculpas ao colega quando terminou a atividade. “Ele pediu que nenhum outro aluno a partir daquele dia falasse mais aquela palavra com o coleguinha porque não era legal. Ele se comprometeu em não falar e pediu para os outros não falarem também. É uma experiência que você ver que teve resultado”, comemora.

A metodologia adotada nas oficinas estimula o processo de aprendizagem ao abordar os conteúdos de forma contextualizada, conforme Andrea Sousa, coordenadora do projeto Educação para a Liberdade. A coordenadora explica que a Educação Contextualizada estimula a aprendizagem associando o componente curricular à vida cotidiana das crianças. “Já imaginou ter uma aula de biologia no açude perto da escola? Como calcular o volume e o diâmetro de uma cisterna? Isso traz um aporte para trabalhar de forma mais dialógica”, explica Andrea.

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