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70 novas casas de sementes crioulas preservam biodiversidade do semiárido cearense

 Casa de Sementes na comunidade Batateiras, no Crato. Foto: Fram Paulo

Há cerca de um ano, em nove estados do Semiárido brasileiro, iniciou-se um trabalho de resgate de sementes nativas desta região. Durante este tempo, aproximadamente 112 mil famílias agricultoras colaboraram com o ideal de proteger a diversidade de plantas crioulas e abraçaram o projeto Sementes do Semiárido.

No Ceará, com o apoio de quatro Organizações Não Governamentais, 114 comunidades rurais identificaram os tipos de sementes guardadas por gerações e dedicaram-se à organização de casas comunitárias de sementes crioulas, onde pudessem manter este patrimônio livre da contaminação por transgênicos e do risco do desaparecimento por causa da estiagem.

Protetores de suas variedades de feijão, fava, milho, plantas medicinais, legumes, entre outros tipos, os homens e mulheres de 40 municípios doaram parte de seu estoque doméstico para que a casa de sementes pudesse ser iniciada em suas comunidades e assentamentos. Ao todo, 70 novas casas de sementes foram ativadas no Ceará no último ano, 29 das quais com o intermédio do Esplar. Os trabalhadores e trabalhadoras rurais associadas a elas puderam plantar suas lavouras com as sementes aperfeiçoadas pela natureza para resistir ao clima e ao solo da caatinga. Ao todo, O Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido estima a existência de 250 casas de sementes em todo o Estado.

A guarda continua

“O povo do semiárido guarda e produz vida”, afirma Andrea Sousa, coordenadora do Sementes do Semiárido no Esplar e integrante da coordenação do Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido. Cadastrando as mais de 2.300 famílias cearenses, as organizações perceberam que a guarda de semente é uma tradição popular que deveria ser valorizada. “O Projeto trouxe às pessoas uma oportunidade de refletir sobre a importância de guarda de sementes crioulas e esta estratégia não vai acabar, vai permanecer”, defende ela.

Em algumas localidades do Vale do Jaguaribe, com as perdas da safra devido à seca, algumas comunidades perderam a variedade de milho, lembra Andrea. Para evitar o desaparecimento de mais espécies é que deve ser mantido o estoque comunitário. “Sair da estratégia individual para coletiva fortalece o patrimônio genético”, orienta ela.

Selecionando, guardando e replantando, os agricultores e agricultoras chegaram a espécies bem adaptadas à sua região. “Plantar semente crioula garante uma produção de qualidade, um alimento de qualidade. A cada novo plantio, foi-se experimentando até chegar numa semente que é a semente ideal”. A experiência do Projeto Sementes do Semiárido, que no Ceará foi nomeado de Sementes da Vida, levou o povo do campo a um novo patamar de autonomia. “Desenvolvimento sustentável é o agricultor e a agricultora terem sementes e não terem que esperar pelo governo. Ter a semente que sabe de onde vem, conhecer a resistência e a qualidade dela é umas estratégia para poder produzir e comercializar”, diz.

De 04 a 06 de maio, cerca de cem agricultores e agricultoras participaram do I Festival Cearense Sementes da Vida e do III Encontro Estadual de Agricultores/as Experimentadores/as, em Barbalha. Veja galeria de fotos do evento na fan page do Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido

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