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Esplar e Adelco inciam projeto com 14 povos indígenas do Ceará

Tapeba, Tabajara, Potyguara, Pitaguary, Tremembé, Anacé, Kanindé, Tapuia-Kariri, Jenipapo-Kanindé, Kalabaça, Tapuia, Kariri, Gavião e Tupinambá. Pelos próximos três anos, estas 14 etnias do Ceará serão assistidas pelas ONGs Esplar e Adelco (Associação Para Desenvolvimento Local Co-produzido) no projeto “Fortalecendo a Autonomia Político-organizativa dos Povos Indígenas”.

As duas instituições criaram o projeto de promoção da democracia e dos Direitos Humanos, o trabalho foi agora aprovado e receberá financiamento da União Europeia. Com ele, cerca de 300 lideranças indígenas participarão de cursos sobre Direitos, Política e Controle Social; Gestão e Fortalecimento Institucional; Elaboração e Gerenciamento de Projetos, entre outros. A cooperação resultará também na realização de assembleia dos povos indígenas e na publicação um dossiê sobre violação dos seus direitos.

Integrantes da Coordenação das Organizações e Povos Indígenas do Ceará (COPICE), Articulação das Mulheres Indígenas do Ceará (AMICE), Comissão da Juventude Indígena do Ceará (COJICE) estiveram presentes em reunião na sede do Esplar dia 5 de agosto. As três instituições representam os povos indígenas, mobilizam para protestos e retomadas de território e intervêm em questões políticas e jurídicas.

Thiago, professor indígena e descendente da etnia Anacé do município de Caucaia, avalia que as orientações para elaborar projetos de captação de recursos serão úteis às entidades. “A gente tem dificuldades de se representar e vai levando sem condições financeiras e jurídicas, esse projeto é bem-vindo”, afirmou.

Weibe, líder do povo Tapeba, disse que atualmente as organizações indígenas precisam de documentação e cadastros nos órgãos públicos e informou que os processos de delimitação de terras indígenas no Ceará estão parados durante o Governo do presidente interino Michel Temer. Ele é integrante da COPICE e conta que a instituição é muito requisitada em processos judiciais.“Todo dia a gente se preocupa com uma coisa diferente, mas somos poucos”, afirma. Para ele o projeto “vem em bom momento e vai colaborar significativamente para a organização interna”.

A presença de jovens índios e índias no trabalho de preservação, valorização da cultura e na busca por direitos também será objetivo do projeto. Ainda que seja difícil conciliar o trabalho, os estudos e as ações da militância, Cassimiro, jovem Tapeba, estudante de Engenharia e membro da COJICE, diz que eles e elas têm comissão e planejam como conseguir benefícios do Fundo Brasil dos Direitos Humanos para suas comunidades.

Índias organizadas

Mulheres indígenas serão incentivadas a participar de espaços políticos e pressionar por ações de combate à violência contra a mulher. Magnólia Said, advogada e sócia do Esplar, é uma das autoras do projeto e conduzirá as discussões sobre gênero entre mulheres e homens indígenas. Ana Clécia Souza Nascimento é representante das índias e índios Pitaguary e identifica na sociedade “um olhar preconceituoso por ser mulher e ser indígena”, o que afeta autoestima delas. Ela também participa de encontros da ONU Mulheres e incentiva o engajamento feminino na política. “Mulher pode dar sua contribuição e fazer a diferença. Às vezes, sua autoestima está baixa e ela não percebe sua potência”. Clécia denuncia a falta de assistência de saúde nos territórios indígenas, um ponto que precisa de pressão social para ser resolvido. “Mulheres hoje morrem por omissão de socorro, elas não têm acesso sequer a exames”, diz. Como forma de reprimir violência de gênero, o projeto levará as participantes para visitar equipamentos públicos de proteção à mulher. 

Clique para assistir depoimentos sobre o Projeto Fortalecendo a Autonomia Político-organizativa dos Povos Indígenas

Assista depoimentos de líderes indígenas do Ceará

 

 

 

 

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