A ação que une agricultura familiar e reflorestamento atende 20 famílias nas comunidades de Santana e de Santo André.
O Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria inicia o processo formativo do projeto Refloresta Caatinga que pretende recuperar a vegetação nativa de uma área de cinco hectares no município de Crateús. A ação capacita agricultoras e agricultores familiares em práticas de conservação, ao mesmo tempo, em que restaura e recompõe a vegetação nativa.
Crateús ocupa o 7º lugar no ranking de áreas desmatadas do Ceará. De janeiro de 2025 até julho de 2016, o MapBiomas Alerta identificou 134 novos eventos de perda de vegetação nativa no município, o que representa 579 hectares desmatados. Este não é um processo isolado, apesar da queda de 38% nos alertas de desmatamento da Caatinga em 2025, o bioma registrou a maior perda de vegetação em uma só área do Brasil: 20.834 hectares desmatados.
Lethícia Porto, técnica do projeto Refloresta Caatinga, observa a importância de capacitar as famílias agricultoras sobre restauração ecológica e sistemas agroflorestais, aliando práticas de conservação ambiental a produção de alimentos:
Quando produzimos respeitando esses processos naturais, conseguimos sistemas mais equilibrados, com maior diversidade de alimentos, aumentando a capacidade de enfrentar os desafios do clima. A ideia é que as oficinas sejam dinâmicas, com ampla participação das pessoas envolvidas, para que a construção do conhecimento aconteça de forma coletiva, valorizando tanto os conhecimentos técnicos quanto os saberes construídos pelas famílias ao longo das gerações, por meio da observação da natureza e da experiência no campo".
Embora a legislação preveja a conservação de 20% da vegetação nativa em propriedades com Cadastro Ambiental Rural (CAR) em biomas como a Caatinga, os dados do MapBiomas Alerta apontam que 85,7% do desmatamento em 2025 ocorreu justamente nessas propriedades.
O projeto acompanha, ao longo de dois anos, a recuperação da vegetação nativa em áreas de Reserva Legal (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APP) de unidades familiares de produção agrária (UFPA). Lethícia explica que, além das ações de restauração ecológica e florestal, acontecem formações em sistemas agroflorestais, assessoria de serviços ecossistêmicos e coleta e beneficiamento de sementes de espécies nativas.
A técnica explica como a ação fortalece as outras atividades já desenvolvidas pelo Esplar:
“Nós buscamos sempre fortalecer as práticas agroecológicas, e o reflorestamento é parte desse caminho. Quando recuperamos a vegetação, favorecemos o equilíbrio dos ecossistemas, melhoramos a qualidade do solo, aumentamos a retenção de água e nutrientes no solo e fortalecemos a biodiversidade, que contribui para o controle natural de pragas e doenças”.
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