O projeto Educação Ambiental nas Escolas traz, nas oficinas deste ano, a conscientização sobre as mudanças climáticas e as ferramentas de enfrentamento dos impactos socioambientais para as escolas rurais em cinco municípios cearenses.
Como explica a coordenadora de projetos do Esplar, Neuma Morais, as alterações no clima têm um impacto ainda maior quando se trata da relação que as famílias agricultoras mantêm com a terra e com a quadra chuvosa no Ceará:
Cuidar do território é essencial diantedas mudanças climáticas que estão vindo.Nosso público são as filhas e os filhos dasagricultoras e agricultores, que dependemda terra e da água para se alimentar e tirar o sustento. Por isso, a escolha do tema tem muito a ver com a própria existência dessas pessoas em suas comunidades.”
Neste processo formativo, o clima dialoga diretamente com as questões do território: comunidades rurais, tradicionais e periféricas são as principais atingidas pelas catástrofes ambientais. As desigualdades já existentes em nossa sociedade se intensifi cam diante de impactos como poluição, estiagem severa, enchentes e perda de produtividade da terra.
Esse fenômeno é chamado de racismo ambiental - consequência de modelos econômicos baseados na exploração dos recursos naturais, em que pessoas negras, indígenas e quilombolas são as mais afetadas pela crise socioambiental, têm seus direitos violados e são excluídas das decisões políticas necessárias para mudar esse cenário.
Em comunidades rurais, faltam condições dignas de trabalho, acesso a serviços básicos, demarcação de terras e valorização de saberes tradicionais. Nesse contexto, as mulheres ficam mais atarefadas com os cuidados familiares e mais expostas aos impactos dessas mudanças.
Promover a justiça social se torna mais desafiador em cenários catastróficos. Com a desigualdade social mais agravada, a equidade fica cada vez mais distante, e os sistemas de opressão, mais fortalecidos.
A agroecologia surge como um dos caminhos para reduzir as consequências desse problema, garantindo acesso a alimentos seguros e pondo fim aos métodos exploratórios, que desmatam e envenenam o solo e as águas.
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